As Ciclovias Invisíveis de Michelle Castilho

A fotógrafa Michelle decidiu adotar a magrela como meio de transporte na cidade, e junto com a decisão vieram também questionamentos “Mas você vai pela ciclovia, né?!” era perguntada todo o tempo. Apesar de estar no Código Brasileiro de Trânsito a maior parte da população desconhece o direito da bicicleta de estar na via,  junto com os demais veículos.
E foi assim que em uma cidade onde as bikes e os ciclistas não são vistos, nasceu o projeto Ciclovias Invisíveis.

Impressionada com a quantidade de adeptos ao meio de transporte, resolveu usar seu olhar na fotografia para registrar esses ciclistas e as ciclovias que são criadas por eles para se locomover na cidade. Com o equipamento na mochila e a ideia pronta na cabeça, pedalou por diversos bairros a fim de fazer seus registros.

Seria uma boa forma de tornar visível não só o direito, mas como também os ciclistas, que muitas vezes tornam-se invisíveis também. Digo isso por experiência própria, antes de pedalar, não percebia a quantidade de ciclistas nas ruas”, conta.

Infelizmente o Rio de Janeiro não oferece segurança suficiente para a fotógrafa se munir de super equipamentos, ou até mesmo com uma câmera profissional 24 horas por dia, mas pensando nisso, Michelle começou a fazer os cliques com seu celular e criou um Instagram para o projeto, que hoje já tem quase 1000 seguidores que participam ativamente enviando fotos das “ciclovias invisíveis” de todas as partes do país.

Tijuca - Rio de Janeiro
Tijuca – Rio de Janeiro

Centro  - Rio de JaneiroCentro – Rio de Janeiro

Cargobikes - Centro do Rio
Cargobikes – Centro do Rio
Pai e Filho - Lapa, Rio de Janeiro
Pai e Filho – Lapa, Rio de Janeiro
Botafogo - Rio de Janeiro
Botafogo – Rio de Janeiro

Para ela o maior retorno do projeto é assistir a evolução na compreensão e respeito com a causa dentro do seu ciclo de amigos e também na população.

Hoje em dia, quando acontece um acidente, sei que muitos pensam: “Poderia ser a Michelle”. Quando o ciclista deixa de ser um desconhecido com um nome e sobrenome qualquer no noticiário e passa a ser seu amigo, a relação muda. O meu sonho não é mudar a estrutura da cidade, mas mudar as relações dentro do trânsito. Por mais que construam mais ciclovias, sempre vai ter um momento, em que o ciclista vai ter que passar por uma via com automóveis. E nessa hora, só respeito e educação de ambas as parte podem fazer a diferença”, explica.

Ato contra morte de ciclistas no trânsito do Rio de Janeiro
Ato contra morte de ciclistas no trânsito do Rio de Janeiro
Bicicletada - Centro do Rio de Janeiro
Bicicletada – Centro do Rio de Janeiro
"Pedalada" - Larnajeiras, Rio de Janeiro
“Pedalada” – Larnajeiras, Rio de Janeiro

michelle castilhoMichelle Castilho é fotógrafa, ciclista e tem como referências na fotografia o também ciclista e fotógrafo Bill Cunningham de Nova York, que fotografa pela cidade sempre em cima da sua bicicleta e indica o trabalho dos seus amigos do Pedalembando (grupo de criadores/empreendedores que se juntam para pedalar e mostrar seus produtos pela cidade), da galera do Respeite um carro a menos que faz plaquinhas personalizadas para colocar nas magrelas, marca Anouk Bags, que faz bolsas e outros produtos adaptáveis para as bicicletas, e o pessoal da Ciclo Courier, empresa de entregas rápidas que tem o diferencial de utilizar apenas bicicletas na realização de seus serviços.

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Bruna Messina

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Não curte futebol, mas joga nas 11. Redatora, Roteirista, Analista de Mídias Sociais, Produtora e Phd em deboche e ironia.
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