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Alto Paraiso e altas coincidências

Ainda e sempre falando das sincronias dessa vida, na busca por uma carona de Alto Paraiso de Goiás até Brasília, encontrei nada menos que uma… nômade! Mas dessas de nível cinco. Marcamos um horário na padaria. Nunca tínhamos nos visto antes. Eis que chega ela em um carro branco de placa argentina e dois cachorros grandes. Esperamos que eles fizessem suas necessidades antes de entrarmos no carro para começar a viagem.

No início, ela foi logo puxando assunto e em poucos minutos a minha sensação era de estar viajando com uma amiga. Também, em pouquíssimos minutos, soube que ela estava grávida de quase cinco meses – fato que ela teve que me contar, porque nem notei.

Nômades de estrada. Ela, o companheiro e os cachorros. Ela, italiana. Ele, argentino. Os cães: Igor, italiano, e Oggi, catalana. Ela estava indo à Brasília buscar o rapaz. Estavam no Brasil, em Alto, havia quatro meses. E já se preparavam para seguir viagem – ela já estava ficando entediada de ficar tanto tempo no mesmo lugar, apesar de ter adorado. Além de quererem ter o bebê em alguma cidade de praia no Brasil, e ainda precisavam conhecer algumas para decidir/sentir. Nada fã de trabalhos formais, Vanessa se dedicou durante um tempo – tanto parada no mesmo lugar como no mesmo emprego – na Argentina no foco de comprar aquele carro em que viajávamos.

Pequena pausa para ligar o som do carro: o set list do carro começou com Resistencia Arrogante, dos Violadores Del Verso, grupo de rap de Zaragoza, Espanha.

Seguimos a conversa. Falamos muito sobre esse impulso por não ficar no mesmo lugar, dos presentes que são conhecer pessoas, as peculiaridades. As dificuldades, os aprendizados. Sobre como ganhar o dinheiro necessário para viver essa escolha, quais as possibilidades. Ouvi as experiências deles. Entendi e aprendi muito. Falamos dos perrengues e das maravilhas. Ah, as maravilhas!

Os cães são viajantes desde que nasceram. Ela me contou que um deles, ao chegar em Alto Paraiso, demorou dez dias para dormir fora do carro, de acostumado que estava. Eles também são guardiões: ela diz que nunca passou por nenhuma situação de perigo viajando e acredita que parte disso se deve à presença deles. Também existe um cuidado constante com eles: fizemos algumas paradas ao longo da viagem para eles poderem dar uma voltinha, fazer necessidades, beber água e comer.

O cão catalão da Vanessa
Oggi

A viagem seguiu plena, sem pressa, com tempo para observar a natureza e comentá-la, sentindo hora ou outra um cheirinho no cangote de uns dos cachorros. Uma pausa para um chimarrão com rapadura, outra para o xixi da grávida, e todas elas para os cães se esbaldarem um pouquinho.

O som continuava a rolar e ouvimos também Así no Va, da banda argentina Resistencia Suburbana.

Lembro que quando nos despedimos e saí do carro eu tinha em mim uma sensação mais profunda de liberdade, e uma certeza forte de que magia existe e que basta estarmos abertos para ela se manifestar. E que basta estarmos atentos para percebê-la. E celebrá-la.

Mas só de lembrar e de relatar esse dia essas fortes sensações retornam em mim. E o grito de liberdade vem forte daqui de dentro. Não por liberdade, mas por sabê-la.

Então, neste fim de ano de balanços e perspectivas, desejo para todos nós um 2015 de mais coragem, de mais liberdade, mais confiança em nós mesmos e nas nossas escolhas. Que saibamos que onde devemos estar é onde nosso coração canta, onde nossos talentos estão. O que vem é só consequência.

Como diria Vinicius… Vai, vai, vai, vai! Que uma estrela vai aparecer… 😉

Até 2015!

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Patrícia Olivieri

Patrícia Olivieri

Escreve, dança, tem vida social ativa e também adora um recolhimento. Se joga como cobaia no que gera curiosidade a ela. Também é Comunicadora Social, Designer para a Sustentabilidade pelo Gaia Education e Produtora Cultural.
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