Category Archives: A rua é nóiz!

Praça Seca Cultural

Depois da catártica produção e realização do “O Passeio é Público”, me mantive em um estado de observação contínua da movimentação carioca de rua atual. Não, nada disso é novo, eu sei, só talvez tenha mudado um pouco a forma de se organizar.

Sempre me ensinaram que o fato do ser humano ter nascido com dois ouvidos e uma boca só não foi a toa. É preciso estar de ouvidos (e olhos, claro) bem abertos. Assim a gente filtra bem o que agrega somando pra nossa caminhada e deixa passar as pequenas pedrinhas que passam facilmente pelos buracos da peneira.

Antenas ligadas a parte, uma das análises feitas durante esse tempo me fez perceber o quanto essa movimentação toda faz gerar para a cidade, como por exemplo, para a segurança pública. Apesar de nos depararmos com algumas centenas “cidadãos de bem” aclamando pela volta da intervenção militar, mal sabem elxs que o mesmo evento de rua que tanto odeiam (e muitas vezes denunciam e reclamam) geram mais segurança pra sua rua ou bairro do que qualquer efetivo de policiamento. …Continue lendo>>>

Ninho de Livro

Quem passava desavisado pela Avenida Ataulfo de Paiva, no Leblon, na tarde dessa 5ª feira última (23/07), estranhou o burburinho atípico em frente à loja da Cantão – um palco armado, stand de cerveja, pessoas conversando na calçada. A marca de roupas embarcou na idéia do projeto Ninho de Livro, capitaneado pela Satrápia, agência de marketing de benfeitorias. A festa de lançamento aconteceu ali mesmo, na rua. …Continue lendo>>>

Música, Independência e Coletividade

Outro dia eu estava conversando com uma amiga numa mesa de bar e chegamos à conclusão de que iríamos começar uma pequena revolução no nosso círculo de amizades. Estudamos em Niterói e a maioria dos rolês que frequentamos são por lá, pela Zona Sul ou pelo Centro do Rio, mas nós duas moramos na Zona Norte e a gente sabe que aqui tem uns lugares bem bacanas pra se conhecer. Nossa revolução seria essa, reforçar cada vez mais pros nossos amigos que na Zona Norte também tem muitos eventos bons, bares super baratos e super tendência e que a cultura aqui borbulha. O subúrbio é lindo.

Calhou de logo depois dessa conversa a gente ficar sabendo da existência de um evento super maneiro que aconteceria na Penha, uma parceria do coletivo Subsolo com o coletivo Leopoldina Orgânica. Nele ia rolar uma feira orgânica pela manhã e shows de artistas independentes pelo resto da tarde. Eu e Carol – minha amiga da revolução – pegamos nossas coisinhas e fomos nos divertir, só que dessa vez pertinho de casa. …Continue lendo>>>

A luta segue – RC Nilópolis

Cortando a metrópole atrás da rima perfeita, de cap, moletom e chinelo, com uma idéia na cabeça e uma caneta na mão, uma juventude sangue no olho deixa sua quebrada majoritariamente na Baixada ou na Zona Norte pra vibrar e participar da batalha mais disputada das redondezas.

Morando em Nilópolis há mais de vinte anos fui conhecer a Roda Cultural de Nilópolis cerca de um ano atrás, quando sediaram a Batalha das Batalhas (batalha entre os mcs campeões de cinco rodas do Rio) na segunda praça da Manoel Reis. Na ocasião, apesar da chuva e do frio, mais de 200 pessoas se amontoavam para ver o que rolava no palco, montado ao lado da quadra com uma caixa e um mic. Na ocasião alem do Slow da BF (um cara que respeito muito, não só pelo som, mas por saber da importância da circulação de ideias e fluxos), mcs de todo o Rio estavam presentes para batalhar. …Continue lendo>>>

Na Batalha do Passinho

Comigo! Tchutchá tchá tchum tchum tcha, tchum tchum tchá!

Dia 31 de maio de 2015 entra pra história. O Festival Internacional de Danças Urbanas Rio Hip Hop Kemp, vulgo H2K baixou com a quinta edição no Rio de Janeiro no suingue do passinho. O Teatro Municipal abriu pela primeira vez as portas para o funk e deixou ele entrar com tudo: muito estilo, emoção e calor. Ah, ele entrou de bermuda também! O H2K vem desempenhando um papel fundamental na vida dos meninos e meninas que sonham e acreditam ser possível viver da dança criada nas ruas. Com toda dificuldade e resistência, uma grande parte desses dançarinos urbanos tem desbravado e rompido com as barreiras do preconceito social, racial. Exemplo emblemático foi a Cia Na Batalha, formada há um ano, atualmente com 10 dançarinos de passinho, jovens de 16 a 22 anos que brilharam no último domingo no palco do Municipal. Sim, eles brilharam! Cada vez que eu esbarrava em um deles era contagiada com a felicidade, sorriso arreganhado e muita festa. …Continue lendo>>>

Precisamos falar sobre as crianças

Não entendo muita coisa de bambolê, mas sei que o vai e vem do nosso corpo é quem mantém o equilíbrio dele voando. Meu corpo não chegou a sair do lugar, mas minha mente flutuou como o próprio bambolê numa cena que vi recentemente num evento de rua. Uma menina que vendia cerveja deixou todo mundo emocionado quando pediu para usar um bambolê de adultos. Criança, na rua e de madrugada, pediu licença aos adultos donos do brinquedo para poder rodar o bambolê que não podia ser dela. Vedada de sua própria infância, mas autorizada a ser criança por segundos, tomou o lugar dos mais velhos para simplesmente brincar com o brinquedo que viu ser usado ao lado dela. A galera ao redor aplaudiu, tirou foto e abraçou. Há quem diga que no mundo ao revés, as vítimas dele sofrem a punição. Há quem diga que a noite é uma criança, mas na noite da nossa cidade nos emocionamos quando uma criança roda bambolê e ignoramos quando ela é obrigada a virar adulto. …Continue Lendo>>>