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75 anos do Homem-Morcego

Certa vez, um trabalho ligado à música me levou a uma área ocupada pelo tráfico. Ao entrar numa viela armas se apontaram para este que vos escreve. O motivo de ter despertado o ódio deles: estava com uma camisa do Batman, e era a época em que a milícia atuava como “liga da Justiça”, ou seja, foi como entrar de camisa do Flamengo num ônibus cheio de vascaínos no início da ponte Rio-Niterói (também já vivi essa situação, mas isso é outro papo).
Bom, como redigi este texto significa que sai vivo da situação, mas sem blusa. Esta foi rasgada no ato.

Ainda falando do meu umbigo, minha paixão por histórias de homens de roupa justa e ações heróicas se deu através de um gibi do Homem-Aranha que li quando ainda um único digito definia meu tempo de existência na Terra. Foi amor à primeira leitura. Mas o personagem que ao longo da vida foi me fascinando cada vez mais acabou sendo o Batman e justamente pelas diversas interpretações que sua legenda já teve, inclusive a que abre o texto.

Criado em 1939 por Bob Kane, Batman completa setenta e cinco anos em 2014 e segue sendo o personagem número um da DC Comics.

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Quase todo mês seus títulos mensais estão entre as mais vendidas nos comic shops dos Estados Unidos. Sua recente trilogia dirigida por Cristopher Nolan, encerrou com sucesso de bilheteria, com destaque para o segundo filme “Batman – O Cavaleiro das Trevas” que rendeu mais de um bilhão de dólares e um Oscar póstumo para o ator Heather Leadger que interpretou o Coringa. E eu confesso que particularmente já revi várias vezes esta película. E se ligar a TV de bobeira e tiver passando sou capaz de parar e ver de novo.

O sucesso do personagem é tanto que ele retorna ao cinema já no segundo filme da nova franquia do Superman onde será interpretado por Ben Affeck. A escolha não agradou muito aos fãs porque a turma lembrou daquela tosqueira do filme do Demolidor e geral bolou.
Este filme também vai introduzir outros heróis dando a deixa para um filme da Liga da Justiça. E em todos esses, Batman está presente.

Mas o que faz deste setentão um personagem ainda tão popular? Talvez o fato de ser um herói sem poderes. A tal superação que inspira tanta gente por isso é explorada à exaustão nos filmes holywoodianos.

Veja bem, o Superman veio a este mundo predestinado a ser o que é desde que seu foguete meteu o pé de Krypton com ele ainda bebê.
O Homem-Aranha, outro bastante popular, só usou seus poderes especiais para combater o crime depois que o seu Tio Ben morreu. Antes estava mais preocupado em faturar um trocado. Só depois entendeu, a partir da tragédia, que “grandes poderes, trazem grandes responsabilidades“.

Batman também sofreu uma perda familiar trágica, a morte dos seus pais, mas esta moldou para sempre o personagem. Ele decidiu ter responsabilidades e se virar para arrumar seu poder.

Foge, foge com Superman
Foge, foge com Superman

Outra coisa que sempre destacou o morcego dos outros heróis foi sua galeria de vilões. Charada, Duas CarasHera-VenenosaPingüimEspantalhoChapeleiro Louco e até alguns ainda mais curiosos como o Anarquia. E claro, no topo da parada vilanesca: o Coringa.

Coringa, o vilão que muitas vezes rouba a cena
Coringa, o vilão que muitas vezes rouba a cena

Não a toa, o personagem se destaca nas adaptações cinematográficas “Batman“, de 1989, dirigida por Tim Burton e com Jack Nicholson vivendo o vilão, assim como no já citado “Batman – O Cavaleiro das Trevas“.

Nos quadrinhos, o personagem já passou por diversas fases. Nas primeiras histórias, que nem eram em Gothan City, ele não se importava em matar os delinqüentes e chegava a portar armas de fogo. Nos anos 50 e parte de 70, andava descaracterizado enfrentando seres espaciais e visitando dimensões paralelas.

No início da década de 70, o personagem estava preso a sua imagem de herói-pastelão do seriado de TV, mas acabou ganhando histórias mais sombrias e interessantes pelas mãos de Neal Adams, Dennis O’Neil e Dick Giordano.

No elegante traço de Neal Adams aplicando um passo de balé!

Nos anos 80 ganha a aclamada série Ano Um e Batman – Cavaleiro das Trevas. Ambas com roteiro de Frank Miller.

Nos anos 90, acaba numa cadeiras de rodas e é substituído por uma versão bem mais nervosinha. Mas dessa vez, a série animada Batman Animated Series, exibida desde 1992, já trabalhava com um Batman mais durão, decidido e praticamente infalível, superando vilões e colegas de capa e cueca pra fora. E foi com essas características que o personagem entrou na década de 2000 nas bancas.

Atualmente o personagem vive uma boa fase por Scott Snyder. O cara emplacou três sagas muito boas na seqüência: “A Corte das Corujas“, “A morte da Família” que apresentou um Coringa realmente assustador, e “Ano Zero” que está saindo atualmente no Brasil.

E com tanta popularidade, o personagem já ganhou inúmeras paródias (na série The Boys, de Garth Ennis, tem uma excelente), homenagens como os muito fanfilms encontrados na internet, e uma penca de versões.

Batman nos traços de Jim Lee
Batman nos traços de Jim Lee
Batman no traço de Alex Ross
Batman no traço de Alex Ross
Pode vir quente que eu estou fervendo
Pode vir quente que eu estou fervendo

A Warner e a DC sabem da nota preta como seu batmóvel que o personagem vale e por isso deve tentar manter um nível bom dos quadrinhos, games e adaptações cinematográficas que vierem pela frente.

Na luta contra o crime como o herói Batman, o milionário Bruce Wayne também ajuda a enriquecer a imaginação dos leitores e os bolsos da indústria do entretenimento! Ah, e tudo com a ajuda de Robin, o menino prodígio!