cumbia-sonido-novedoso-serhurbano

Cumbia, un sonido novedoso

Para uma experiência multi-sensorial, leia ouvindo:

O trabalho da Piti veio até a mim de forma muito aleatória. Eu estava em Ilha Grande, tomando um drink de fim de tarde, quando de repente uma hermana puxou papo comigo. Ela era produtora de cinema experimental em Buenos Aires e logo a gente já estava falando de festas no Rio. Segundo ela, uma amiga sua estava produzindo um evento imperdível naquele fim de semana: O Saudades de Cumbia.

A Cumbia já ganhou o resto da América Latina, mas ainda está crescendo no Brasil. Esse gênero tem muitas variações de estilo, e na Argentina, por exemplo, tem influência andina da Bolívia ao norte, e uma pegada mais romântica e lenta, tipo o forró, ao sul. Na periferia do Peru tem até Cumbia psicodélica, o Sonido Amazonico. Reconhecida por ser um gênero bem abragente, a Cumbia surgiu da combinação entre o “bailar cantado” dos escravos africanos com o ritmo dos índios nativos da Colômbia.

Uma mistura dançante e poderosa, que veio finalmente parar aqui em forma de festa e ocupação das ruas. A Piti Vaccari produz e toca em duas dessas festas, o Saudades de Cumbia e a La Cumbia, que já aconteceu no Arco do Teles e na Rua do Mercado.

Ao voltar de Ilha Grande fui bater um papo com ela. Descobri que ela é argentina, estudou música desde pequena, fez dança contemporânea, escola de circo e chegou aqui no Rio agitando a nossa cena de arte. O primeiro evento produzido por ela foi o “Varieté Cultural”, que durou 3 anos no Centro Laurinda Santos Lobo. Ela explicou que Varieté é tipo um cabaré de variedades, que emergiu num contexto bem específico da crise da Argentina em 2001, momento em que as pessoas começaram a fazer cabaré e apresentações de circo com música, ocupando bares e ruas. Foi durante a produção desse evento em Santa Teresa que a Piti se aproximou do som e começou a selecionar músicas de toda América Latina.

Os estilos de Cumbia que ela toca são Cumbia Tradicional e Cumbia de Villera, que em portunhol se pronuncia “bichera”. Estilo que surgiu na periferia da Buenos Aires, trazida pelo imigrantes paraguaios e peruanos, num contexto também de crise e manifestações. Assim como o funk e o rap carioca, concordamos que ambos são uma expressão social do gueto, e que dependendo do estilo, também podem ser um batidão.

cumbia-sonido-novedoso-serhurbano

MireArte - Foto: Karla Alvaíde
MireArte – Fotos: Karla Alvaíde

A diferença da música da Piti, e consequentemente, do que podemos encontrar nas festas em que ela toca, é o quesito “novedoso”. As músicas tem sempre uma novidade, misturam músicas novas, versões de músicas antigas e mashups com outros estilos. Ficando, digamos assim…Novedoso, diferente.

Tudo combina perfeitamente com Fernet, bebida alcoólica, paixão nacional da Argentina, que se mistura com Coca-Cola. Os amigos dela trouxeram algumas garrafas para a última edição da Saudades de Cumbia, e a bebida se comprovou sucesso também entre os brasileiros, que bebiam assim como cachaça, entre uma cerveja e outra. O único problema foi terminar a festa, que devido a mistura alcoólica se tornou infinita.

MireArte - Foto: Karla Alvaíde
MireArte – Foto: Karla Alvaíde

Fato é que temos muito mais em comum com os países da América Latina do que imaginamos, somos irmãos não apenas por sermos vizinhos. Temos produções culturais muito grandes e questões sociais ancoradas muitas vezes nas mesmas raízes. E é no mesclar cultural que a gente se torna ainda mais rico.

cumbia-sonido-novedoso-serhurbano
No próximo sábado, dia 25 de julho, rola mais uma edição da La Cumbia, e o sonido dessa vez invade o  Alto Vidigal.

ARRAIÁ da LA CUMBIA
Onde: Alto Vidigal – Rua Armando de Almeida Lima, 2 – Arvrão
Ás 23h
Quanto? R$10 Ingresso Promocional Antecipado – R$15 até 00h
R$20 após 00h

The following two tabs change content below.
Fernanda Sigilião

Fernanda Sigilião

Comunicóloga e jornalista experimental. Apaixonada por jazz, todos os lados das artes e festas que ocupam as ruas da cidade.
Fernanda Sigilião

Latest posts by Fernanda Sigilião (see all)