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Existe amor em SP e tá aí pra quem quiser ver

Há 3 anos eu saía de São Paulo pela terceira vez. Para mim, simplesmente não dava mais: horas de trânsito, pessoas estressadas (inclusive eu), consumo desenfreado, mais horas de trânsito, cheiro ruim, gente ruim, polícia ruim, prefeito ruim.

Naquela época, nada parecia bom na cidade garantida. Então, no verão de 2011, decidi fazer algo diferente. Entreguei casa e carro, encaixotei roupas, deixei alguns pertences com amigos, botei a mochila nas costas e fui viajar. Andei, andei, andei… até encontrar o Rio.

Nossa, o que é para um paulistano descobrir o Rio de Janeiro? Que momento maravilhoso quando você descobre que há vida além de SP ! Eu já tinha saído outras vezes, mas para cidades bem menores, como Floripa e interior de SP, mas estas cidades eram pequenas demais para meus sonhos.

Quando cheguei no Rio, a coisa mudou de figura. Parecia (e era) o equilíbrio perfeito entre natureza e cidade. Como é que é? Esse ônibus passa na cachoeira?? Tem uma praia nessa avenida ou tem uma avenida nessa praia? Os morros, o calor, o sol, o mar… até o azul do céu era diferente. Pronto! Haveria eu encontrado o paraíso, onde eu poderia trabalhar, ter uma vida mais saudável e mais leve? Sim!

Pensei e acreditei piamente que teria filhos cariocas até receber o primeiro cachê, até pagar o primeiro aluguel. Até tentar comprar a primeira ponte aérea. Até pegar o primeiro engarrafamento de duas horas (no Rio não se fala Trãnnnsito). “Ah pelo menos tem um visual bonito vai!

Esse sentimento passou, até pegar meu primeiro trem. E também até perceber que o metrô anda em linha reta e depois te joga pra um ônibus. E quando descobri que ônibus e metrô não se integravam, perdi a linha.

Até ser zoada pelo meu sotaque diariamente, ouvindo as mesmas piadas e a galera que definitivamente não sabe imitar paulista meu, puta mundo injusto!! Até perceber que TUDO gira em torno da politicagem e da malandragem e da sagacidade e da voracidade em se dar bem.

Sendo assim, em 2 anos meu aluguel triplicou, a cerveja também. A balada, digo a night, que antes custava no MÁÁÁXIMO vintão passou a custar 35 – 40 – 50 -80…. e de repente eu estava morando em São Paulo de novo, mas com mar. Uma das cidades mais belas do mundo se tornara também uma das mais caras ! (btw, no Rio ha tanta desigualdade quanto em SP).

Bem, o primeiro encanto passou, mas mesmo assim ainda não estava disposta (e ainda não estou) a largar o osso. Até que… recebo um convite para trabalhar em São Paulo novamente por uma temporada de 3 meses.

“Ok, 3 meses eu encaro. Vai ser bom para dar um refresh.” 

Decidi apertar o F5 (é inegável o quanto as coisas acontecem mais rápido aqui). Cheguei como quem não quer nada, sem dar muita moral pra SP. Sempre exaltando a cidade maravilhosa e esfregando na cara dos paulistas meus últimos anos de vida “saudável”! Sempre digo que: se quiser, vou à praia todo dia (mas não vou), que ando de bike na orla todo dia (pneu vazio há 6 meses) e que lá a vida é infinitamente melhor, apesar de mais cara. Mas, não precisei de 1 dia para perceber que algo havia mudado na terra da garoa e em mim também.

Não sei se foi ver as novas ciclovias na cidade, iguais às do Rio, ou o fato dos meninos estarem me tratando bem por causa do meu bronzeado adquirido em terras cariocas. Mas, o fato é que São Paulo está diferente de quando eu a deixei, há 3 anos atrás.

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Parece que as pessoas acordaram de uma inércia e decidiram ir pra rua. Não estou falando de manifestação, mas sim de curtir a vida ao ar livre seja de bike, patins, skate, com o cachorro (aqui a maioria dos meus amigos tem 1), mas com mais alegria do que notava antes. Talvez seja o meu olhar que tenha mudado, mas apesar dos pesares tenho visto a cultura efervescendo! Shows gratuitos, festivais organizados por coletivos independentes, economia criativa, comida saudável, gente do bem, consciente e livre.

Ué, não eram os paulistanos presos à cidade?? Eu não os avisei para sair daqui, porque a cidade ia entrar em colapso?

Pois é….”melhor” que não.

Quem tá aqui tá afim de ser feliz, de fazer acontecer e de se renovar.

Mal cheguei e já fui recebida por um festival de Dub, chamado Reunion of Dub, que aconteceu durante 2 dias  (4 e 5 de outubro) no Vale do Anhangabaú.

Foto: Folha de São Paulo
Foto: Folha de São Paulo

reunion of dub
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Num clima a la virada, o festival tinha 3 palcos, 35 atrações nacionais e internacionais, muita gente (mais de 20 mil pessoas por dia), pouco ou nenhum lixo no chão e a melhor parte: tudo isso organizado por coletivos independentes, sem nenhuma participação de empresas. É mole??

A partir daí, tenho descoberto coisas lindas, como o Coletivo Ocupe & Abrace, que revitalizou a Praça da Nascente, recuperando uma área degrada e integrando a comunidade com a natureza. Lá, voluntários cuidam quase que diariamente da horta e do lago com peixes. Nada mais nada menos do que o maior espaço verde do bairro Pompéia, até então abandonado pela prefeitura. oi?!?!

A praça Homero Silva, na Pompeia, zona oeste de São Paulo, começou a sofrer uma transformação a partir do ano passado. Apontado como foco de violência, o lugar, antes sujo e malcuidado, ganhou nova vida a partir da iniciativa do coletivo Ocupe & Abrace, formado por moradores do bairro

Coletivo Ocupe e Abrace
Coletivo Ocupe e Abrace

Outra descoberta maravilhosa é que aqui, a Bike Sampa aceita bilhete único (Rio Card) !! Ou seja, com esse bilhete anda-se de ônibus, metrô AND bike!! Não é demais!?!

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Ah São Paulo (ou Haddad, não sei) obrigada!

Aqui estou eu, sem respirar direito, por falta de ar limpo. Sem tomar banho direito, por falta de água. Mas, agora que estou aqui, também vou fazer a minha parte para te deixar um pouquinho menos tensa.

Vou procurar o meu alento (por enquanto tem sido o boteco mesmo, porque tô muito carioca) e ser feliz, custe o que custar, dure o quanto durar.

SP ame-a ou deixe-a ou passe temporada ou more perto do seu trabalho ou faça home office ou mude a rotina ou ocupe a praça!

Agora quando me perguntam se dá pra morar aqui eu digo:

HAseDÁd.

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Juliana Arruda

Juliana Arruda

O DNA é 011, mas o DDD é 021. Produtora e realizadora de ideias, especialista em marketing e inovação.Tão produtiva que quando você tá pensando em ir, ela já voltou com a solução, um relatório e um lanchinho, natureba de preferência. Cultiva o bem e acredita que colhemos aquilo que plantamos.