Vila do João, Rio de Janeiro - 2009 / Foto: Aaron Kistner

Panmela Castro e a relação do corpo feminino com a cidade

“Risco as paredes para desvendar os segredos da paisagem e dos passantes que a compõem. Aprendo sobre seus simbolismos, ao tempo que me desvendo. Em época de transição de costumes, de mitos a metamorfoses, me confundo e me recrio como uma caricatura do feminino.” 

Panmela Castro ganhou o mundo com o codinome de Anarkia. Nascida e criada na periferia carioca, a grafiteira, que vem enfeitando as ruas por onde passa com seus painéis, agora também vem conquistando as galerias de arte nacionais e internacionais. De 9 a 29 de abril, o Espaço Furnas Cultural, em Botafogo, vai abrigar uma exposição inédita da artista batizada de “Anarkia Andarilha”, que traz uma série de fotos de suas pinturas em diversas cidades do Brasil e do exterior, com curadoria de Gustavo Coelho.

Edmond, Canadá - 2009
Edmond, Canadá – 2009

Com Berlin e Flaxtl.Liñares, Espanha - 2012
Com Berlin e Flaxtl.Liñares, Espanha – 2012

De caráter político, feminista e autobiográfico, a exposição aborda o percurso do corpo feminino de Panmela pela paisagem urbana, passando por todas as suas experiências com o spray, desde a pichação e o redescobrimento do graffiti até sua produção artística atual, compondo, desta forma, a persona Anarkia. Como ponto de partida, sua obra começa em sua cidade, o Rio de Janeiro, onde a artista reafirma sua identidade de mulher, suburbana, sujeita às regras ali estabelecidas. Regras essas que Panmela acaba se deparando em todas as cidades que trafega, impondo limites ao feminino e tornando a situação do domínio do corpo da mulher uma questão crítica muito além dos limites territoriais.

Organizadas em ordem cronológica, as 44 imagens traçam a trajetória da artista, que percorreu três continentes, dez países e várias cidades do mundo, como Santa Cruz, Lapa, Penha, Praga, Washington, Nova York, Paris, Madison, Istambul, Liñares, Edmonton, Jerusalém, desde 2001. Diferenças culturais que a fizeram compreender quem ela é, o porquê desta construção e como ela se reflete em seu processo artístico.

“Foi neste caminho que desenvolvi meu diálogo com a cidade do outro e que compreendi e amadureci minha produção”

Primeiro, vem os registros da época da pichação, quando, por frequentar ambientes majoritariamente masculinos, Panmela achava que deveria se portar como um deles para garantir seu espaço. Depois, as imagens revelam um lado mais feminino da artista, em que ela começa a equilibrar seu corpo e sua sexualidade dentro do espaço em que cria, como se ganhasse a consciência de que para estar na rua, entre eles, não precisaria necessariamente ser um deles. Por fim, o feminino se revela por inteiro, não só na artista como em sua obra através de suas personagens _ Eva, Liberté, Gabriela Libélula_, que aparecem pintadas em diferentes locais, de diferentes formas, porém sempre com uma mensagem libertadora e de afirmação do gênero feminino.

Av. Brasil, Rio de Janeiro - 2009
Av. Brasil, Rio de Janeiro – 2009
5 Point,  Queens, Nova York - 2012
5 Point, Queens, Nova York – 2012

A exposição traz ainda uma área interativa com diversas latas de spray vazias para que o público possa ouvir o barulho das latas, manipular seu instrumento de trabalho e mergulhar um pouco no seu processo criativo.

“Anarkia Andarilha” (Panmela Castro)
Vernisage: 9 de abril, quinta, às 19h.
Onde?: Espaço Furnas Cultural (Rua Real Grandeza, 219 – Botafogo)
Quando? 10 a 29 de abril
Horário: terça à sexta de 13 às 18hs;  sab, dom, e feriados 14 às 20hs (segunda feira o espaço cultural não abre)
– GRÁTIS – 

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Bruna Messina

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Não curte futebol, mas joga nas 11. Redatora, Roteirista, Analista de Mídias Sociais, Produtora e Phd em deboche e ironia.
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