Foto: Nine França

Festival 72 horas: três dias de loucura e de muito filme bom

Em 72 horas eu consigo fazer um bocado de coisa: escrever duas matérias, fazer milhares de telefonemas, ir à exaustivas reuniões e até mesmo encontrar uns amigos para um bate-papo. Agora, produzir um curta em apenas três dias parece papo de doido. Como sou adepta a uma boa doideira, conversei com dois coletivos que embarcaram nessa ideia do 72 horas RIO, que tem como proposta fazer com que dezenas de cabeças pensantes desenvolvam um filme em um curto período de tempo. Toda a produção do roteiro, filmagem e edição deveriam ser completados entre 18h do dia 30 de abril e 18h do dia 3 de maio. Acha impossível? Posso apostar que não.
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Para ter uma noção disso, basta conferir o número de filmes entregues dentro do prazo estipulado: 72. E isso porque essa é apenas a segunda edição do festival realizado pela Providence Produções.

Funciona da seguinte forma: os filmes entregues de acordo com as regras do festival são exibidos uma semana depois. Dentro da sala de exibição, que este ano rolou no MAR – Museu de Arte  do Rio – entre os dias 7 e 10 de maio – eles passam pelo júri popular e os mais votados são escolhidos por um júri especializado em 14 categorias, entre elas: melhor filme, fotografia, edição, documentário, entre outras.

O tema central deste ano foi a Zona Portuária do Rio de Janeiro. Todos os filmes precisavam falar sobre a região, mas o desenvolvimento era livre. O Coletivo Poeira, que surgiu no meio das gravações do curta para o festival, embarcou nesse desafio e conseguiu entregar o filme “Todos os dias são meus” a tempo. Com seis minutos e 14 segundos, o filme aponta as consequências que o crescimento desacelerado dessa região podem trazer tanto para o nosso passado quanto para o futuro.

Coletivo Poeira - Foto: Nine França
Coletivo Poeira – Foto: Nine França

Ao todo, são 18 pessoas engajadas no coletivo, entre elas estudantes e profissionais das áreas de ciências humanas, artes, entre outras. Todos com um objetivo em comum: a vontade de trocar ideias e experiências relacionadas à projetos visuais e audiovisuais. Em breve, veremos outros projetos da turma, é o que afirma a antropóloga Ana Paula Alves Ribeiro, uma das integrantes do grupo. É o que desejamos!

Também bati um papo bem leve e descontraído com a Gabriela Rezende, do Coletivo Se7e. Aproveito para deixar aqui a minha declaração pelo chat do Facebook: <3. Enfim, ela me explicou que produzir um filme em 72 horas não é nada fácil. A correria não parou, nem nos últimos minutos que antecederam a entrega do resultado final. O curta “2 a 1” contou com duas crianças como protagonistas, o que causou um certo trabalho para todos, mas ela afirma ter valido a pena todo o esforço. “Claro que não saiu tudo como planejamos, mas no fim concordamos e posso dizer que a experiência foi super válida e enriquecedora para todos”, explicou.

Coletivo se7e
Coletivo se7e
Curta "2 a 1"
Curta “2 a 1”

O filme, produzido por sete jovens da área de comunicação, narra a história de duas crianças brincando na rua quando uma delas é confundida com um delinquente. Este é o primeiro projeto do grupo que também promete não parar por aí. “Já temos um novo roteiro em mãos. A ideia é produzir com uma certa frequência e não parar”, finaliza.

Para quem não teve a oportunidade de assistir aos filmes no MAR, sugiro dar um pulo no Centro Cultural Ação Cidadania  nesta sexta, dia 15 de maio, às 19h. Lá será possível conferir a premiação e, claro, conferir os filmes vencedores. Eu já tenho os meus favoritos.

E então? Partiu?

72HORAS RIO Festival de Filmes • Premiação 2015
Onde: Centro Cultural Ação da Cidadania – Av. Barão de Tefé, 75 – Centro
Ás 19h
GRÁTIS

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Cinthia Karina Fonseca

Cinthia Karina Fonseca

Fluminense, jornalista, assessora de imprensa, analista de redes sociais, redatora, poetisa e cinéfila. Escreve. Ponto. A Baixada está no coração e o Rio pelos pés.