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Gigante, Verde e Incrível

Se como jogador da seleção o Hulk foi pouco incrível na recente Copa em nosso país, nos quadrinhos da Marvel o mesmo sustenta a alcunha desde a década de 60.

Stan Lee e Jack Kirby beberam de referências literárias como Frankstein e O médico e o Monstro para criarem em 1962 o Dr. Bruce Banner, um cientista que ao salvar um adolescente de um campo de teste de bombas militares (eita), acaba atingido por uma bomba gama e se transformando no gigante e imprevisível Hulk.

Bruce Banner tomando uma boa dose de bomba gama
Bruce Banner tomando uma boa dose de bomba gama

Agora, nem sempre ele foi essa adorável criatura verde que todos nós conhecemos. Em sua primeira aparição o cara era cinza, só que uma cagada gráfica deu uma esverdeada no personagem. Stan Lee gostou do que viu.
Na edição número dois, o personagem já era verde. E tinha um lance dele virar o Hulk apenas a noite. Depois que isso mudou para a transformação se dar toda vez que Bruce Banner sentisse raiva. Seja porque sua vida corresse risco, seja porque acertou com o martelo o dedo ao invés do prego.

Mas a vida nem sempre foi um mar de tranqüilidade para o herói nervoso. Hulk amargou um bom tempo sem revista própria. Participou como membro fundador do grupo Os Vingadores, mas na edição número dois já caiu fora por dificuldades de se enturmar.

Boladaço, Hulk mete o pé dos Vingadores
Boladaço, Hulk mete o pé dos Vingadores

Provavelmente a virada do personagem se deu quando resolveram tornar a identidade dele pública. Na história publicada em Tales to Antonish 77, de 1966, aquele adolescente salvo lá na origem do Hulk de nome Rick Jones, é até hoje um dos principais coadjuvantes da série. Não agüentou a pressão do Major Talbot e deu uma de x-9 entregando para os milicos que o magrelo Dr. Banner se transformava no Hulk.

Se a coisa ficou ruim para o cientista, para o leitor foi “A” parada, pois as tramas ganharam mais agilidade e emoção.
E com esse tom de monstro perseguido e incompreendido, que foi produzida de 1977 até 1982 a série de televisão estrelada por Bill Bixby como Dr. Banner e o peso pesado Lou Ferrigno como Hulk.
O seriado renovou o interesse pelo verdão no mundo inteiro e fez muito marmanjo ficar com lágrimas nos olhos ao ver o Dr. Banner sempre terminar o episódio pedindo carona na estrada em busca de um lugar para ser aceito ao som da melancólica The Lonely Man.

De Computador é fácil, quero ver é encarar ser o Hulk de verdade como o Lou Ferrigno!
De Computador é fácil, quero ver é encarar ser o Hulk de verdade como o Lou Ferrigno!

Então vieram os anos oitenta. John Byrne, aclamado roteirista e desenhista e na época, uma das mais aclamadas estrelas da Marvelassume as revistas do Hulk. Na sua trama, Hulk finalmente é separado de Bruce Banner. O primeiro sai por aí mais destrutivo do que nunca. O segundo, resolve unir as escovas de dentes com a namorada e casa-se com Betty Ross. Quando a saga está perto de atingir o clímax, Byrne briga com o editor Bob Harras e pula fora. A trama termina com Banner unido ao Hulk, só que agora cinza novamente!

Hulk teve uma ótima fase com John Byrne. E eu uma péssima com o hábito de escrever meu nome na capa da revista com canetinha do Paraguai
Hulk teve uma ótima fase com John Byrne. E eu uma péssima com o hábito de escrever meu nome na capa da revista com canetinha do Paraguai

Aí entram em cena dois caras que iam fazer história nos quadrinhos: o roteirista Peter David e o desenhista Todd McFarlane. Este segundo, um jovem iniciante que se destacou desenhando o Hulk, acabou no carro-chefe da editora, o Homem-Aranha, e se mandou para criar a Image Comics e a McFarlane Toys e ficar cheio da grana.
O primeiro tinha  sido justamente demitido de um título do Homem-Aranha e não era o autor mais querido do momento. E o Hulk era um personagem que ninguém queria pegar na mão. Nem Peter. Interessado em criar diálogos, o cara não se animou de primeira em escrever um personagem que não sabe nem usar os pronomes, mas o editor deu carta branca e Peter aproveitou o cinza para fazer o personagem ficar mais astuto, sacana e se transformando, num primeiro momento, apenas a noite.
E com essa personalidade ele virou o Sr. Tira Teima, um segurança casca-grossa de um dono de cassino de Las Vegas.

Novamente cinza trampando de Guarda-Costas
Novamente cinza trampando de Guarda-Costas

Ainda sob a tutela de Peter David, o Hulk, após passar por uma sessão de terapia (sério), une suas três personalidades – Hulk Verde, Hulk Cinza e Bruce Banner – em um único ser. Essa fase que reinou nos anos noventa teve ótimos momentos.

Terapia de grupo e de cores!
Terapia de grupo e de cores!

Na primeira metade da década de dois mil, Ang Lee leva o personagem  para os cinemas. As muitas mudanças na origem do Hulk e uma certa demora no personagem entrar em cena decepcionaram os fãs. Ainda assim gosto dos recursos de montagem do filme, por remeter a uma leitura de quadrinhos.
Em 2008, um novo filme, com a cronologia trabalhada com os demais filmes da Marvel, é lançado. Edward Norton vive Dr. Banner e na época se declara insatisfeito com o resultado final, alegando que o lado humano do Hulk não foi devidamente explorado.
Por isso que o ator não participou do longa Os Vingadores, película que arrecadou uma boa grana, consagrou de vez os personagens das Marvel e fez uma cena antológica, pra qualquer nerd envolvendo o verdão com o vilão Loki. Com a saída de Norton, Mark Ruffalo vive Banner. O personagem também vai dar as caras na continuação Os Vingadores 2.

Nos quadrinhos, Hulk teve uma fase exilada em outro planeta. O arco conhecido como Planeta Hulk teve boas vendas. De volta à Terra, o personagem baixa o sarrafo nos que tramaram seu exílio (o Senhor Fantástico, do Quarteto Fantastlco, Homem-de-Ferro, Dr. Estranho e Raio Negro) e se vê as voltas com um Hulk Vermelho. Esse, por sua vez, é o General Ross, ex-sogro de Banner. Ou seja, depois dessa você não pode mais reclamar que seu sogro é ruim.
Nesse período teve Hulk Verde, Hulk Vermelho, Mulher-Hulk (essa foi criada há anos no universo Marvel, mas deixa pra outro texto que esse já está enorme), Mulher Hulk Vermelha, filho do Hulk e Rick Jones como um monstro azul. Tanta gente alterada assim, levou a revista a se chamar The Incredible Hulks e gerou uma animação: Hulk e os agentes da S.M.A.S.H.

 

Vermelho, vermelhaço Vermelhusco, vermelhante Vermelhão...
Vermelho, vermelhaço Vermelhusco, vermelhante Vermelhão…

Na fase atual publicada no Brasil, o Hulk vermelho comanda uma equipe chamada Thunderbolts e o Hulk Verde trabalha pra SHIELD. Bruce Banner oferece seus serviços como cientista e quando precisam de uma arma de destruição em massa, soltam o Hulk na parada. As histórias de ambos podem ser conferidas na publicação mensal Universo Marvel da Panini. Por conta do sucesso do filme, o personagem dá as caras no título dos Vingadores também.
Bom, o texto é longo e tem buracos. Mas dá pra sacar que o gigante (quase) nunca teve vida fácil. Enquanto os outros heróis seguem por aí salvando o dia, o Hulk segue por aí esmagando o dia!

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Lencinho

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Também já subiu pelas paredes. Por amor mas também para matar um pernilongo.
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