Foto: Clarissa Pivetta

Mais um MOF para a conta

Fim de ano tem dessas. A gente para, olha pra trás, faz um balanço. Aí, olha pra frente, faz planos. Há nove anos, essa história rola com o Meeting of Favela (MOF). O que hoje tornou-se o maior evento voluntário de arte urbana do mundo, começou em 2006 pra tirar uma onda com o Meeting of Styles (MOS), um encontro internacional de grafite aberto apenas a convidados, que aconteceu no Rio naquele ano. No MOF, qualquer um pode chegar.

O local que acolhe o evento desde a primeira edição foi escolhido a dedo: a Vila Operária, em Duque de Caxias“Realizar esse projeto é levantar a bandeira da arte num lugar que a cultura é descuidada. Poder colocar a Vila Operária no eixo cultural da Baixada Fluminense vale todo esforço”, conta Carlos Bobi, artista que idealiza o evento ao lado de André KajamanMarcio Bunys e Wesley Combone, do Espaço Rabisco, coletivo Galeria Nove Cinco e crew Posse 471.

Na agenda do grafite na América Latina está lá: o MOF acontece sempre no último domingo de novembro. Faça chuva, faça sol e independe de patrocínio e apoio. O projeto é mesmo realizado na crença de uma soma sem segmentações, com espaço pra todo mundo se expressar.

A cada ano o MOF se reinventa e ganha força. Dá o play no vídeo pra assistir a grandiosidade do evento em movimento. Essa é apenas uma visão nossa, que esteve presente por lá na última edição. Sente só…

Ao longo desses nove anos, com edições anuais, o evento cresceu tanto, que não cabe mais em um só dia. O sábado, véspera do dia oficial do evento, foi batizado como Pré-MOF e funciona como um “esquenta” para a galera vinda de tudo que é canto e que fica hospedada por lá durante o final de semana.

Foi ao som do batuque de alfaias do arrastão de Maracatu vindo de Viçosa/MG que dezenas de artistas caminharam até os dois quarteirões inteiros disponíveis para receberem aquele banho de tinta clássico do dia que antecede o evento. Integração é mesmo palavra de ordem e começa no instante que se chega por lá!

Foto: Hugo Inglez
Foto: Hugo Inglez
Foto: Hugo Inglez
Foto: Hugo Inglez

 

Foto: Hugo Inglez
Foto: Hugo Inglez

No domingo, por onde se anda na Vila Operária se vê arte tomando forma. Artistas já consagrados juntam-se a galera da nova geração, que se mistura com os moradores, que doam murosvivênciasexperiências e sorrisos durante um final de semana que fica pra história daquele ano e na memória de todos que participaram.

Foto: Site Keep It Real/ Karol Agante e AK47
Foto: Site Keep It Real/ Karol Agante e AK47
Foto: Site Keep It Real/ Karol Agante e AK47
Foto: Site Keep It Real/ Karol Agante e AK47
Foto: Site Keep It Real/ Karol Agante e AK47
Foto: Site Keep It Real/ Karol Agante e AK47

Segundo o pessoal da organização, rolam em média 1.000 pessoas pintando ao mesmo tempo. É uma verdadeira babilônia do Grafite. Em cada beco, viela, janela, parede e muro, o “trator desembestado” movido a sprays com artistas do Brasil e do mundo todo no controle, vai colorindo a comunidade, que depois de tantas edições já recebe camadas e camadas de tinta e história (boa) pra contar.

Foto: Site Keep It Real/ Karol Agante e AK47
Foto: Site Keep It Real/ Karol Agante e AK47
Foto: Site Keep It Real/ Karol Agante e AK47
Foto: Site Keep It Real/ Karol Agante e AK47
Foto: Site Keep It Real/ Karol Agante e AK47
Foto: Site Keep It Real/ Karol Agante e AK47
Foto: divulgação 8-bitch project
Foto: Site Keep It Real/ Karol Agante e AK47
Foto: Site Keep It Real/ Karol Agante e AK47

Tudo isso culmina numa grande festa, com música, rima e dança. Neste ano, teve o Bloco Estratégia que botou todo mundo pra relembrar o mestre Tim Maia, a clássica Batalha do RealDj Zé do RoqueMC Sistah, o groove do Sound System, o grupo de rap Produto Interno, pista para a galera do skate e para os breakers e mais um monte de gente bacana.

Foto: Site Keep It Real/ Karol Agante e AK47
Foto: Site Keep It Real/ Karol Agante e AK47
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Foto: Hugo Inglez
Foto: Site Keep It Real/ Karol Agante e AK47
Foto: Site Keep It Real/ Karol Agante e AK47

Como não é só de festa que se faz uma comunidade, a grande novidade é que agora o MOF tem uma base na associação de moradores da Vila Operária. A sala onde passou a funcionar a sede do evento está de portas abertas para a realização de oficinas e atividades socioeducativas, que vão além do grafite. “A ideia é movimentar ainda mais o lugar, com eventos voltados para a população e que fomentem a cultura por lá”, concluiu Bobi.

E quer saber? Por essas e outras que esse é um evento único! Todo mundo sai de lá contando os dias para o próximo. É assim que 2014 termina: prometendo mais MOF para 2015 e com um punhado de gente que já não aguenta por esperar!

Por enquanto, vai dando um bizú em algumas outras resenhas e coberturas do MOF 9 :

Galeria Nove Cinco
Keep It Real
Onofre Bmx

*Foto de destaque: Clarissa Pivetta

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Maria Carolina Mello

Maria Carolina Mello

Redatora, roteirista, assessora de imprensa e mídias sociais, é metade do coletivo de dois '8-bitch project'.
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