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Ninho de Livro

Quem passava desavisado pela Avenida Ataulfo de Paiva, no Leblon, na tarde dessa 5ª feira última (23/07), estranhou o burburinho atípico em frente à loja da Cantão – um palco armado, stand de cerveja, pessoas conversando na calçada. A marca de roupas embarcou na idéia do projeto Ninho de Livro, capitaneado pela Satrápia, agência de marketing de benfeitorias. A festa de lançamento aconteceu ali mesmo, na rua.
ninho-de-livro-satrapia-cantão-serhurbanoA proposta do Ninho de Livro é simples: pregar casinhas de passarinho em alguns postes da cidade, nas quais se depositam livros que ficam disponíveis para troca. “Não é original, mas é inovador”, conta Renata Tasca, uma das idealizadoras do projeto. Acrescenta Renata que a ideia foi inspirada em uma iniciativa muito parecida com a qual se deparou durante uma viagem à França.

Foto: Revista Veja Rio/ Felipe Fittipaldi
Foto: Revista Veja Rio/ Felipe Fittipaldi

A principal dúvida da jovem publicitária era se o projeto daria certo no Brasil – se as pessoas de fato trocariam. “A relação do brasileiro com o espaço publico, no geral, é outra; além de que a cultura da troca não é muito difundida entre nós”. Seu maior medo, no entanto, era que depredassem o Ninho, ou que sumissem com os livros, simplesmente.

O primeiro Ninho de Livros, na Praça Sarah Kubitschek, em Copacabana, serviu como teste. Foi feito ”na cara e na coragem”, financiado do bolso dos idealizadores. Os primeiros livros disponibilizados eram carimbados com um pequeno texto explicativo sobre o projeto. Assim, no decorrer dos dias, poderiam verificar a rotatividade dos mesmos. E qual nao foi sua surpresa ao descobrir que, ao invés de danificados, ou ausentes, os livros eram outros – estavam realmente circulando.

Foto: Agência O Globo / Leo Martins
Foto: Agência O Globo / Leo Martins

O passo seguinte era correr atrás de apoio junto ao poder público e empresas interessadas. “Algumas pessoas do meio da produção cultural pensam que ter a Prefeitura ou uma marca envolvida é algo negativo; não necessariamente – havendo diálogo, alinhadas as expectativas, ter apoio na hora de realizar seu projeto é muito bom”. A Prefeitura inicialmente se mostrou relutante, mas “uma vez bem sucedida a ação, eles agora fazem questão de ter a logomarca deles incluída“ – afirma a idelalizadora. Em relação às marcas, Renata acrescenta ser preciso educá-las – “a idéia, basicamente, é conscientizá-las de que a qualidade da comunicação é mais eficiente do que o seu alcance”.

Os Ninhos mais recentes, como o lançado 5ª feira na Cantão – décimo primeiro em nossa cidade – vem sendo implementados em parceria com a iniciativa privada. “As marcas estão percebendo que se associarem a um projeto transformador como esse comunica muito mais do que, por exemplo, um outdoor posicionado numa grande avenida”. A identificação das pessoas é tanta, afirma Renata, que na unidade do Arpoador, algum desconhecido simplesmente instalou uma maçaneta na casinha. “A pessoa entendeu que aquilo era tão dela quanto meu”.

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Ninho de Livro instalado no Vidigal
Ninho de Livro instalado no Vidigal

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Desde então, os integrantes do projeto batem ponto semanalmente nas onze unidades dos Ninhos de Livro, para fazer a manutenção. Devido ao custo de tempo, bem como de dinheiro, por enquanto o projeto está concentrado na Zona Sul, onde moram seus idealizadores. Mas o potencial da proposta está justamente na sua viralidade – nada impede que qualquer interessado entre em contato com a Satrápia para levar o projeto para o seu bairro. Aliás, e por favor, façamos isso.

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Santiago Perlingeiro

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Estudante de letras, ataca de escritor e jornalista. Paga sua cerveja trabalhando, ora como garçon, ora como feirante - e às vezes não paga
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