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Novecinco Euro Detour

O fotógrafo Hugo Inglez  é uma figura de visual fácil de lembrar. Na última vez que nos encontramos, ele estava prestes a viajar para a Europa e fui contagiada pela sua empolgação com o que estava por vir. Tanto que, no meio da correria da viagem, ele manteve dois diários de bordo: Diário 1 e Diário 2.

As histórias são contadas por suas lentes, que parecem trazer um pouco dos ares de lá pra cá, entre exposições e painéis da Novecinco, representada no velho continente pelos artistas Combone Wesley, Heitor Corrêa, Pedro Jardim e Rique Inglez, além do próprio Hugo. Me peguei viajando pelas fotos e pedi que ele contasse um pouco mais sobre o que estava rolando na trip. Trocamos algumas mensagens e em todas, dava pra sentir o quanto ele estava absorvendo daquela experiência, que segue…

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Porto foi a primeira parada desta viagem, que eles apelidaram de “Euro Detour”. Engraçado que o Hugo tem a mesma impressão que eu sobre o povo de lá. Para ele, as pessoas são extremamente diretas, “de você confundir com grosseria e amabilidade com sinceridade”. Nessa “terra muito legal e com vento gelado” que aconteceu a primeira exposição deles numa galeria a vera: a “Desvio” com a curadoria da Miúda. “Deu pra sentir um pouco dos luxos de ser artista. Deu pra dar uma sonhada boa!

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Na sequência, a trupe foi para Valpaços, “um lugar agradável, sem muita gente e com um calor feito carioca”. Lá eles encararam um mural encomendado para a Casa do Vinho e ficaram na casa da família Cruz, “que mais parecia um resort 5 estrelas de engorda”. Mas, segundo o Hugo, foi o que os manteve no trabalho.

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Em Lisboa, eles ficaram na Flying House, um galpão isolado de residência de artistas com um terraço pras pistas de um aeroporto. “É longe mas lendário!” E, foi na capital lisboeta, mais especificamente na galeria Giv Lowe no Cais do Sodré, que eles deram vida a “Doçaria Lisboa”, a segunda exposição do coletivo na terrinha, com curadoria da Kiki Wozen. “Ainda colamos com os caras da 8DIX, de Londres. Um dia clássico de tattoo, mural e filmagem.”

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Passado o furacão da produção, o coletivo deu uma folguinha uns dos outros para reagrupar em Paris dias depois, para pintar em Vitry, uma cidadezinha nos arredores, ponto de encontro de artistas urbanos. “Fomos os primeiros cariocas por lá. Só tem gente foda: cruzamos com Borondo, Roa, Pantonio e o próprio C215, que iniciou o movimento e tem trampo pela cidade inteira!”

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Nesse meio tempo, Hugo embarcou para Barcelona. Segundo ele, existe Barcelona e o resto do mundo. “Fiz duas sessions maravilhosas na Praça Macba, que é tipo a meca do skate street e ainda fica no Raval, o Barrio Chino de Barcelona. Você pode imaginar um pinto no lixo com a câmera na mão…

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A saga da Euro Detour terminou com a volta deles para Lisboa, no ponto alto da viagem: a conclusão do projeto que a GAU – Galeria de Arte Urbana  começou em 2013 na Estação do Oriente, com duas peças do Pixel Pancho e Cyrcle. “Nós pegamos a parte do meio entre eles, com pinturas na rua do tamanho que a viagem merecia.”

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Fotos: Hugo Inglez

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Maria Carolina Mello

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Redatora, roteirista, assessora de imprensa e mídias sociais, é metade do coletivo de dois '8-bitch project'.
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