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O dia em que a casa Pop-up Kolor virou kaos

Quem passa desavisado pela rua João Afonso, no Humaitá, não imagina que é ali a Casa Pop-up Kolor, endereço de muitos eventos criativos da cidade. Idealizada pelo metade francês, metade húngaro, Paul Kurucz, a casa já recebeu a cinefesta Kinema, projeto que traz filmes inusitados ao ar livre, e o multi-frentes Kaaobi, que reuniu palestras, DJs, live paiting e outras atividades. No último domingo, porém, um projeto diferente abraçou a casa: O Zona Autônoma Temporária: Ludus Naturae.

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Mais do que um evento, o projeto idealizado pelo PharmaKoletivo foi resultado de um experimento independente que, durante sete dias, reuniu artistas em um processo de vivência e ocupação. Performers, artistas plásticos, cineastas e cenógrafos transformaram a casa em um espaço de livre criação, visitando o lugar durante a semana para criar suas obras e participar de processos de imersão, liderados pelo facilitador João Maia. Prática que, naturalmente, ajudou a construir a coesão caótica do evento.

O resultado final foi um hapenning multi-plataforma, tudo junto ao mesmo tempo, com pinturas, instalações, colagens e manifestos pelas paredes.

Alguns olhos aflitos buscavam a ordem estética das exposições estilo White Cube, mas se de um lado estivessem as obras das fundações e museus, no extremo oposto estaria o kaos tecno-xamânico da Zona Autônoma. A exposição era participativa e vibrante, tornando possível sentir o cheiro da tinta fresca e o processo de criação.

O poder ritualístico das artes e o misticismo lúdico foram os conceitos que mais pareceram transpor as obras. Logo no início, o happening conduzido por João Maia percorreu a casa entoando um mantra hindu, convidando os presentes a entrar em um novo estado de atenção. E o público que inicialmente acompanhava a performance como expectador, logo se tornou parte dela.

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Em uma das salas, a obra das artistas Isabella Aurora e Alice Turnbull, exibia uma grande projeção, atrás de galhos secos, mostrando um banho de lua, que evocava a energia do sagrado feminino. E na parte de cima, o quarto xamã punk, ocupado pelo artista plástico Pedro Farina, promovia uma verdadeira imersão a um submundo de (des)conexão entre o homem, natureza e tecnologia.

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Mais do que performances e instalações, a Zona Autônoma, foi marcante pela sinestesia e pela liberdade com que ocupou o espaço de mais de 6 cômodos da casa. Ao recriar um universo ficcional paralelo onde cada artista pode manifestar sua realidade interna, o evento mostrou coragem ao reproduzir o caos que deu forma a união orgânica de todos os trabalhos. E acertou ao esquivar-se da pior sensação que um evento de artes pode causar: Indiferença.

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O PharmaKoletivo é um coletivo rizomático, formado inicialmente por João Maia, Maria Estephania, Cammila Ferreira e Pedro Diaz.

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Fernanda Sigilião

Fernanda Sigilião

Comunicóloga e jornalista experimental. Apaixonada por jazz, todos os lados das artes e festas que ocupam as ruas da cidade.
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