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Rio de Janeiro e Porto Alegre: aqui ou lá, lá ou aqui, tudo está acontecendo

Essa velocidade “quântica-cósmica” do tempo às vezes me extrapola e quando me dei conta já tem tempo que não pinto por aqui. Talvez tenha a ver com essa vida de mudança constante que tenho experimentado. Pois bem, mas cá estou. Aquela minha primeira ida à Porto Alegre durou quase um mês e depois de quase três semanas no Rio de Janeiro, já estou na terceira casa-coração-aberto.

Vivi muitas coisas incríveis nos dias que seguiram depois da minha última postagem de lá. Cheguei a ir ao espaço Acordar, que eu tinha citado no último texto. Era uma segunda-feira à noite, onde acontecem os Encontros de Reconexão. A cada semana um facilitador diferente traz um novo tema dentro da proposta. A contribuição sugerida é de R$ 5. Espaço gostoso de estar, de conhecer pessoas, de reconectar. Foi onde conheci o Tiago Bueno, um cara que conheceu a Comunicação Não-Violenta (CNV), matou no peito e está disseminando na cidade essa arte de se relacionar, de viver. Como fui picada pelo mosquitinho da CNV há quatro anos, já dei logo um jeito de me aproximar do Tiago para entender como andava esse movimento por aquelas bandas gaúchas.

– Dominic Barter fala sobre CNV

Foi assim que, no dia seguinte, conheci o Casarão do Arvoredo, onde acontece o Grupo de Prática de CNV todas as tardes de terça, e tive a sorte de participar de dois desses encontros.

O Casarão é uma comunidade urbana localizada no Centro Histórico de Porto Alegre. Três casas conectadas umas as outras formam a comunidade e, quando estive lá, moravam 18 pessoas. Alguns moradores trabalham lá mesmo, como é o caso da Lívia Braga, que tem o seu Laboratório Alquímico Experimental – Caverna Sagrada , onde faz diversas poções, como ela define, e a magia que nasce desse trabalho vai desde produtos de higiene pessoal totalmente naturais a alquimias com óleos essenciais e vegetais para ajudar a preparar o corpo da mulher para o parto natural, por exemplo. (Ainda bem que as bruxas queimadas em outros tempos renasceram para trazer a medicina ancestral de volta!)

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Pisando em terras cariocas novamente, cheguei em cima do laço da Apresentação Mensal de Comunicação Não-Violenta. Não consegui ir e relaxei, já fui a várias! Rs Mas meu coração vibrou ao me dar conta de que essa sementinha já está espalhada mesmo e tem cada vez mais gente buscando transformar a forma de se ver, de se sentir, de ouvir as suas reais necessidades e de conectar com o outro – permitindo-se a vulnerabilidade e indo a lugares mais profundos, tirando o foco de mim e de você e colocando a luz no ENTRE nós. Ahhh! (isso foi um suspiro.) Muito em breve teremos um texto só sobre CNV, aguardem!

No Rio, onde tudo acontece e ferve também, enfim fui conhecer o que o meu amigo Pedro Rajão andava aprontando no seu incrível, semanal e incansável Leão Etíope do Méier. Primeiro, no Arraiá da Terreirada Cearense. Na semana seguinte, no espetáculo Loucura sim, mas tem seu método, do Teatro DyoNises, liderado por ninguém menos que o revolucionário Vitor Pordeus. E no meio daquela charmosa pracinha do Méier coloquei minha loucura para fora e vivi momentos plenos e intensos, tudo ao mesmo tempo. Aliás, o espetáculo está com campanha de financiamento coletivo aberta para bancar a temporada.


– Campanha de financiamento coletivo – Loucura sim, mas tem seu método

Foi nesse mesmo sábado de sol de verão no meio do inverno que, mais cedo, fui a mais um Ágoras Cariocas, evento promovido pelo coletivo mais que amado Norte Comum em parceria com o historiador GÊNIO Luiz Antonio Simas. Em um bar no meio da famosa Vila Mimosa, entre goles de cerveja, figuras da região e intervenções inusitadas que temperaram o encontro, Simas nos presenteou com uma aula sobre a história do lugar, desde os primórdios,  às curiosidades, às conexões com os sambas. Enfim, daquelas aulas de História que nunca tivemos nem nunca teremos entre quatro paredes de uma escola. O evento, claro, terminou em roda de samba.

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Sejam movimentos diretamente artísticos ou não, mas, todos, inevitável e intencionalmente envolvidos na arte de transformar, nesse ir e vir entre Rio e PoA, pude sentir que, seja onde for, estamos realmente conectados, produzindo e materializando o mundo que queremos viver. Sejam os mesmos movimentos, como é o caso da CNV, ou em outros que, na primeira impressão podemos não perceber a conexão, estão (estamos), sim, todos conectados e olhando na mesma direção. Seja onde for, agora aqui, outra hora lá, ou aqui E lá, e “aqui” e “lá” podendo ser tanto e tudo, sigo nas buscas e nos encontros das pessoas, dos movimentos, dos eventos que fazem o coração cantar, que fazem acreditar, que fazem sentido, que transformam.

Fotos de destaque: Espaço Acordar / TeatroComLoucura

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Patrícia Olivieri

Patrícia Olivieri

Escreve, dança, tem vida social ativa e também adora um recolhimento. Se joga como cobaia no que gera curiosidade a ela. Também é Comunicadora Social, Designer para a Sustentabilidade pelo Gaia Education e Produtora Cultural.
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