Street Art Berlim / Foto: Carolina Gatto

Se esse Muro fosse Meu: Street Art Berlim

Os Muros de Berlim já tem sua fama desde do tempo que ainda eram História. A East Side Gallery  é uma das “ruínas” que ficaram para contar um pouco do que foi vivido durante esse período, onde a Alemanha era dividida em duas partes.

Foto: Carolina Gatto
Foto: Carolina Gatto

Hoje, ela representa a maior galeria ao ar livre do mundo, tendo uma expansão de quase  dois quilômetros. Mas, o que ainda é pouco falado a respeito dessa grande tela coletiva, é o fato de quando foi criada em 1989, durante a queda do Muro, a East Side em si ficava na parte Oriental de Berlim, o lado obscuro da ditadura, e chegar perto do tal Muro era algo expressamente proibido. Porém, o mesmo não acontecia pra quem morava na parte Ocidental. Deste lado colocar a mão, o braço, a tinta, o papel, a caneta era algo legal, e grafites foram criados, desenhados e representados por lá. Em 1989, com a queda, a parte Oriental, anteriormente proibida, foi libertada e pintores do mundo inteiro se reuniram pra criar uma arte coletiva em favor da paz do mesmo lado onde grafites pré-existente do lado Ocidental já ilustravam Berlim. E assim, pela primeira vez na história do Muro, os dois lados podiam falar e ser a mesma língua. Há uma guerra por trás de Berlim e nos dias de hoje é possível identificar  múltiplas formas de  liberdade de expressão  em cada esquina da capital da Alemanha.

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Fotos: Carolina Gatto
Fotos: Carolina Gatto

Atualmente, a arte urbana domina a cidade, ilustrada por famosos grafiteiros como nossos meninos, os “Gêmeos” e o belga Roa , por exemplo. Berlim é uma galeria de arte a céu aberto. Entretanto, o grafite ainda continua ilegal e visto como um ato de vandalismo e destruição do patrimônio.

Roah / Foto: Carolina Gatto
Roah / Foto: Carolina Gatto

A maioria das grandes “telas” expostas nas paredes da cidade ou foram encomendadas pelo próprio proprietário do estabelecimento ou por terceiros. Todavia, como em toda história sempre há aqueles que tem muito o que dizer e pouco lugar para serem ouvidos, Berlim também tem os seus “indisciplinados” como é o caso do artista XOOOOX, famoso na década de 1980, que usava a técnica do estêncil com imagens de revistas de moda para criticar a beleza e o superficialismo ilustrado pelo mundo fashion.

XOOOOX / Foto: Carolina Gatto
XOOOOX / Foto: Carolina Gatto

Mas como na vida, e menos ainda em Berlim, nem tudo são pedras, para agradar e incentivar aqueles que querem expor sua arte, mas não possuem um “muro pra chamar de seu”, a pequena ruela na Rosenthaler Strasse,  conhecida como Graffiti Courtyard, é um dos lugares onde se pode pintar e borrar (literalmente) sem correr o risco de ganhar um carimbo indesejável no passaporte e uma deportação.

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Rosenthaler Strasse / Fotos: Carolina Gatto
Rosenthaler Strasse / Fotos: Carolina Gatto

Em suma, Berlim é com certeza um lugar pra chamar de céu/seu, mesmo que por apenas três dias ou até mesmo que de longe, como quem aqui vos escreve.

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Carolina Gatto

Carolina Gatto

é carioca de nascença e viajante por natureza. Gosta de ver o mundo por muitas janelas sejam elas físicas ou imaginárias. Atualmente mora em Londres. Adora grafite, fotografia, moda de rua, doce de leite, barganhas em brechó, e muitas vezes já pensou em trocar seu reino por uma coxinha.
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