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Sobre Vertigem, Cineclube e Sobrado

Da parceria entre Serhurbano e Poliphonia, nasce o “Clube Vertigem – Cinema no Sobrado”, com  estreia marcada para a próxima quarta-feira, dia 19 de agosto. Vamos fazer um cineclube temático a cada edição, focando principalmente nos curtas, mas sem deixar de lado os médias e longas que precisem dessa força.
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Vertigem é a sensação de que o corpo de um indivíduo ou o ambiente que o cerca está em movimento. Será que a gente pode se apropriar dessa definição linguística e fazer uma analogia com nossa vida, juventude e busca por novas ideias e trabalho ? A gente acredita que sim.

Sinceramente não quero nem entrar naquele assunto do dilema da geração que sempre se pergunta como fazer o que ama e se manter. Não, hoje falo somente sobre a sensação de se realizar um projeto em que se acredita, custe o que custar.

Podemos até não ganhar muito dinheiro ou, na maioria das vezes, gastar o pouco que temos. Mas como negar a riqueza imensa que é ver a coisa pronta ou “startar” uma nova ideia?! Borboletas no estômago, “afliceta“, gastrite e outros “ites” são presença garantida durante esse processo todo. E onde a vertigem entra nisso? Justamente porque remete ao movimento. Isso, por si só, já é de arrepiar.

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Essa sensação é comum nas produções de cinema, muito comum nos projetos de baixo orçamento e intrínseca à aventura que é fazer curtas-metragens. Infelizmente, o Brasil não valoriza o cinema de curtas, o que torna as aventuras para produzir esse tipo de formato ainda mais vertiginosas.

Hoje em dia, os cinemas viraram igrejas ou foram fagocitados pelos shoppings. Ir ao cinema  é caro, as boas opções  de filmes são limitadas e o espaço para o curta-metragem é  praticamente  inexistente . Além da labuta que é produzir e finalizar um filme sem grana, existe um gargalo estreito na circulação e exibição  dessa produção.

Mas a gente não esquece que o meio ambiente e nós, os indivíduos, estamos  sempre a nos mover (olha a vertigem aí de novo). Aí entra o papel fundamental de resistência dos cineclubes. Basta recordar como, nos anos 60 e 70, eles eram moda, estavam por toda parte, exibindo os filmes que não tinham espaço. Eles influenciaram várias gerações de cineastas que desde muito tempo vem lutando pelo nosso cinema. E essa ideia não envelheceu.

Partindo do vertiginoso desafio de começar uma coisa nova, viemos com as bençãos dos deuses do cineclube para entrar de cabeça nessa ideia da resistência audiovisual e lançar um espaço onde a gente possa assistir filmes, debater, trocar, discutir e, claro, se divertir.

O espaço escolhido é o sobrado da Poliphonia, que fica no corredor cultural da Lapa. Vamos aproveitar toda a bagagem histórica do bairro boêmio e torná-lo tema do nosso primeiro evento.

Claro que a gente também pensa em se divertir, por isso, depois de cada sessão, vamos todos nos embalar ao som do DJ residente da Serhurbano, Bruno Eppinghaus. O DJ tem ideias ótimas para misturar o ambiente do cinema com o da música, sempre trazendo convidados para compor esse time.

Fica então o chamado para os amantes da sétima arte, dia 19 de agosto vamos nos encontrar para dar muito axé para esse novo projeto.

E cineastas, fiquem atentos, os temas das próximas edições vão ser anunciados com antecedência. Curta nossa página, fique por dentro, mande seu filme e entre com a gente nessa vertigem.

Para a grande estreia foram escolhidos 4 curtas que envolvem a lapinha. O primeiro é um doc que está servindo de laboratório para virar um longa. O filme é dirigido por Vik Birkbeck e produzido pela Cavideo. O “Filme do Bonde de Santa Teresa – um ano de impunidade!” mostra a indignação da população frente ao acidente ocorrido no bairro. O projeto de continuar o filme e transformar em longa mostra que a luta ainda continua.

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O outro curta é o “Operação Morengueira”, de Chico Serragrande e Godofredo Quincas. Se liga na história: Após a invasão da Lapa por um bando de terroristas, boêmio incauto tem uma visão mediúnica de Kid Morengueira, recebendo o velho malandro a missão de acabar com a xavecagem no bairro boêmio. Superbang-bang inspirado nos sambas de breque de Moreira da Silva.

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O filme dirigido por Andrea Capella e Peter Lucas é outro doc da lista. “Instantâneos ” conta a história de Gaúcho, personagem de rua da Lapa que pode ser lembrado por muitos frequentadores do bairro, mas cuja vida é conhecida por poucos.

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Para encerrar escolhemos o filme de André Lavaquial, “O Som e o Resto”, que conta a história do baterista Jahir, figura conhecida daqueles que perambulam pela Lapa. Ele é um baterista virtuoso que toca numa banda evangélica e um dia, depois de se indispor com o pastor da igreja onde costuma tocar, se vê na rua com seu instrumento e inicia assim uma jornada existencial rumo à sua música e ao seu espaço no mundo.

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Pra ficar ligado:

Clube Vertigem – Cinema no Sobrado
Quando: 19 de Agosto – Quarta Feira
Onde: Sobrado Poliphonia – Rua da Lapa, 145 – lapa
GRÁTIS
* Depois dos filmes, som com DJ Bruno Eppinghaus

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Maycon Almeida

Maycon Almeida

É jornalista, sofredor do Botafogo e "The Flash" da produção pra ontem além de se arriscar na direção perigosa. Jura que a capital do Brasil é Itaperuna.
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