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Super Elas

Passado mais um Dia Internacional da Mulher, fica aquela sensação de que a data perde constantemente sua simbologia de luta pela substituição do (lucrativo) clichê bombom e flores. Nos quadrinhos, as personagens femininas também demoraram a serem protagonistas dos seus feitos e muitas num primeiro momento, foram criadas até para garantir os direitos sobre versões femininas de heróis masculinos que faziam sucesso, como é o caso da Mulher-Hulk e da Mulher-Aranha.

Mas destaco aqui algumas heroínas que deixam muito maluco de cueca pra fora no chinelo. Vale ressaltar, que no universo infantil dos quadrinhos há personagens icônicas como Mafalda, Mônica e a Lucy do Peanuts, mas por serem crianças não achei apropriada incluí-las.

Mulher-Invísel – Taí uma que demorou a mostrar a que veio. Criada por Stan Lee e Jack Kirby, Sue Storm é integrante do Quarteto Fantástico e literalmente a primeira-dama do universo Marvel como conhecemos. Agora, no início, a função de Sue era muito ser a garota em perigo a ser resgatada (inclusive nessa época era chamada de Garota-Invisível).

Nas primeiras edições, a Mulher Invisível era meia apagada nas tramas.
Nas primeiras edições, a Mulher Invisível era meia apagada nas tramas.

Aliás, ela já começou vacilando em embarcar num foguete roubado com seu namorado Reed Richards (que se torna o Sr. Fantástico) e o melhor amigo dele, o Ben Grimm (que por sua vez se torna O Coisa, que pelo nome já se pressupõe que boa coisa não foi). De quebra, ela ainda leva o irmão mais novo, Johnny Storm (que se torna o Tocha-Humana, um ótimo cara pra se ter ao lado quando precisar de um isqueiro). Na viagem, os quatro caem no meio de uma tempestade de raios cósmicos que os tornam o Quarteto Fantástico. Mas de todas as habilidades a da Mulher-Invisível se limitiva a… ficar invisível. Mesmo mantendo seu romance por décadas com o Sr. Fantástico, a Mulher-Invisível mantém um flerte com o príncipe submarino Namor. “Quem dera ser um peixe“, pode ter pensado Sue em algum desses encontros. E o fato é que, seja a sunga verde, seja o cheiro de bandeja de frutos do mar, ela dá as suas bambeadas nas pernas, diante dele.

Mulher-Invisível numa era pré-Tinder.
Mulher-Invisível numa era pré-Tinder.

Durante a Guerra Civil dos super-heróis, o Capitão América chega a enviá-la para negociar uma aliança com Namor, achando que o cara era capaz de negar um pedido da mulher que desejava. Pra você ver como é ético esse tal Capitão América… Nos anos oitenta, o roteirista e desenhista John Byrne dá uma repaginada na personagem. Nesta fase, ela deixa de ser a moça para ser resgatada e passa ser o membro mais poderoso da equipe, projetando escudos de força e objetos invisíveis que podiam ser arremessados ou até usados para sufocar alguém. Deixa eu pegar um ar para continuar. Pois bem. E falando em ar pode-se dizer que a maternidade é que deu um novo fôlego para a Mulher-Invisível. Ao contrário de outros personagens que tiveram filhos temporários nos quadrinhos, Franklin e Valeria Richards, filhos de Sue e Reed, estão há anos na cronologia do Quarteto Fantástico. E foi em defesa deles que a Mulher-Invisível deu suas maiores demonstrações de poder.

Bat-Girl/ Oráculo – Essa aí – me perdoe se soar machista – foi boa mas deixou de ser. Espera. Não quis me expressar mal. Vamos lá? A sobrinha do Comissário Gordon, Bárbara Gordon, vem morar com o tio em Gotham City. Nessa, acaba se encantando pelos feitos do Homem-Morcego e da ligação que ele mantém com o comissário. Daí veste um colante de morcego e passa a ser a versão feminina do seu herói. Até aí nada demais, mas até que um dia, na graphic novel A Piada Mortal, ela atende a campainha e quem está do outro lado é um Coringa que atira à queima-roupa deixando Bárbara numa cadeira de rodas. E aí sim, a personagem ganha uma utilidade para o universo DC virando a Oráculo, uma especialista em computadores, que invade sistemas, rastreia oponentes e mais uns trocentos crimes de informática para ajudar a comunidade heróica.

Bárbara Gordon como Oráculo. Importante personagem recentemente descartado.
Bárbara Gordon como Oráculo. Importante personagem recentemente descartado.

Como Oráculo, Bárbara foi a cabeça por trás do grupo de super-heroínas Aves de Rapina, e ajudava desde o seu mentor Batman até toda a Liga da Justiça. Claro que a própria Bárbara já acabou emboscada algumas vezes, mas ela sabia se virar sozinha. E muito bem.

Clube da Luluzinha: ainda como Oráculo liderando a ação do grupo Aves de Rapina
Clube da Luluzinha: ainda como Oráculo liderando a ação do grupo Aves de Rapina

Bárbara Gordon se tornou um símbolo de perseverança, resistência e superação na sua fase de Oráculo. Até que um editor resolveu que era mais interessante ela vestir um colant de morcego e sair mais uma vez pulando por cima dos prédios.

Morcegando de novo!
Morcegando de novo!

Apesar dessa Bat-Girl ter ganhado arcos interessantes, não tem o mesmo brilho da personagem anterior que até ganhou “versões” em seriados como Smallville (Chloe) e Arrow (Felicity). Certos editores não sabem apreciar o que uma mulher tem de melhor.

Promethea – Criada por Alan Moore, J. H. Willians III e Mick Gray, a trama se passa numa futurista Nova York de 1999. Sophie Bangs é uma jovem buscando escrever uma matéria sobre Promethea, uma personagem que sempre deu as caras na cultura pop de vários séculos, inclusive em alguns que ainda nem havia sido inventado o termo “cultura pop“.

Gibi místico de Alan Moore com um monte de referências.
Gibi místico de Alan Moore com um monte de referências.

Promethea quando criança era filha de um mago e teve que fugir de uma turba enfurecida. Foi abrigada e criada então por deuses e se manifestou na Terra sempre que foi invocada através da imaginação de alguém. Ao se ver numa situação de perigo, Sophie Bangs vira a nova encarnação de Promethea. Elementos de magia e misticismo aparecem ao longo de toda trama.

São muitos aplicados os estudos de magia de Promethea.
São muitos aplicados os estudos de magia de Promethea.

Vale lembrar que uns anos atrás, Alan Moore pegou um personagem chamado Supremo e através dele deu seu ponto de vista para a mitologia do Superman. Em Promethea, o autor parece dar sua visão para uma possível Mulher-Maravilha.

Mulher-Hulk – A advogada Jennifer Walters recebeu na mesma semana a visita do primo Bruce Banner e de um capanga de um gângster chamado de Nicholas Trask que a baleou. Seu primo então, fez uma transfusão de sangue para salvá-la. Só que Bruce Banner é ninguém menos que o Hulk. Ou seja, agora Jennifer é advogada e também a Mulher-Hulk.

Até a Mulher-Hulk tem dias ruins no trabalho!
Até a Mulher-Hulk tem dias ruins no trabalho!

Criada inicialmente para assegurar os direitos de uma versão feminina do Hulk, cujo seriado em que era interpretado por Lou Ferrigno bombava na época, a personagem mantinha sua inteligência quando ficava grande e verde. Agora é outra que só ganhou personalidade marcante quando foi parar na mão de John Byrne. Na série mensal lançada em 1989 a personagem conversa com o leitor em histórias repletas de meta linguagem.

Verde e forte. Não, não é skank. É a Mulher-Hulk, aqui no traço de John Byrne.
Verde e forte. Não, não é skank. É a Mulher-Hulk, aqui no traço de John Byrne.

Numa fase mais recente, os Vingadores pedem que a Mulher-Hulk deixe de morar com eles por conta das festas que promove quase que diariamente e ela começa a trabalhar numa empresa de advocacia que trata de meta-humanos. Criação de Stan Lee e  John Buscema.

Leia Organa – Ok. A princesa Leia foi criada para a saga cinematográfica Guerra nas Estrelas. Acontece, que a Marvel adaptou o primeiro filme da saga numa mini-série em seis edições. Os três primeiros números antes do lançamento do filme e os três seguintes após. Como já havia um ti-ti-ti em torno do filme, os dois primeiros números venderam bem, mas o terceiro que estava na banca na época do lançamento da película, vendeu horrores. E com isso, a Marvel continuou publicando histórias inéditas dos personagens. Só que como ainda haviam outros filmes vindo, as histórias eram variações de mesmas situações. Ou seja, se no filme a princesa Lea já não era nenhuma mocinha indefesa, nos quadrinhos ela continua tomando à frente de várias situações, deixando seus companheiros Luke Skywalker e Han Solo com aquelas famosas cara de tacho!

Não subestime a princesa Leia!
Não subestime a princesa Leia!
Em várias aventuras é a Princesa quem parte para o resgate!
Em várias aventuras é a Princesa quem parte para o resgate!

 

Borboleta Púrpura – Glória, a namora do Peninha, aquele primo meio hippie do Pato Donald, de super-Herói. É excelente!

A singela vaidade da Borboleta Púrpura...
A singela vaidade da Borboleta Púrpura…
Levando uma pilha do Morcego Vermelho, identidade "heróica" do pato Peninha.
Levando uma pilha do Morcego Vermelho, identidade “heróica” do pato Peninha.
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Também já subiu pelas paredes. Por amor mas também para matar um pernilongo.
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