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Tempo Glauber sob nova direção

O espaço cultural Tempo Glauber está sob nova direção. A instituição, fundada pela família do cineasta Glauber Rocha em 1983 – dois anos após sua morte – encontra-se desde o início de 2015 sob a batuta da produtora Cinema Petisco. Os novos inquilinos do antigo casarão, localizado à Rua Sorocaba, em Botafogo, são os mesmos que já há algum tempo organizam mostras, festivais, cineclubes e cursos de formação cinematográfica cidade afora, através do braço sociocultural da produtora, a associação Cidadela.

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O grupo de jovens cineastas vem se articulando junto a outros movimentos com o objetivo de reivindicar políticas públicas que defendam a produção, bem como a divulgação cinematográfica independente em nossa cidade. Uma das pautas, a título de exemplo, é a reabertura dos cinemas de rua, cada vez em menor número – como, por exemplo, o Tijuca Palace, tradicional sala tijucana, fechada e abandonada – intacta – desde 1982.

Suas influências são diversas, “de Glauber Rocha ao Chaves (da série de TV aberta)”, conta Gustavo Colombo, roteirista e sócio da produtora. Gustavo é favorável à descentralização da produção, combatendo o que denomina “uma monocultura cinematográfica”. Todavia, frisa ele, “sem negar o mercado, fazer cinemão e cinema de nicho também, misturando os gêneros e seus espectadores”.  Gustavo cita que menos de 10% das cidades brasileiras tem salas de cinema – “e quando têm, os filmes são sempre os mesmos: geralmente grandes produções, muitas vezes importadas, verdadeiros gargalos de mercado”. Erik Hewitt, também sócio e roteirista da produtora, afirma que o objetivo da produtora é “fazer com que o Tempo volte a ser um lugar de circulação de pessoas e ideias a partir do cinema”.

Apesar do empenho demonstrado, no decorrer dos anos a sobrevivência do espaço foi ameaçada muitas vezes, pela dificuldade em se conseguir financiamento, seja junto ao poder público ou à iniciativa privada. Comentam os sócios que a última crise financeira se deu no ano passado, quando o Tempo Glauber perigou fechar as portas, e o acervo do autor de Terra em Transe (em que constam películas, cartas, dentre outros) foi então transferido para instituições como a Cinemateca Brasileira e o Instituto Moreira Sales.

Atualmente, o Tempo abriga duas produtoras audiovisuais e um estúdio de design que, desde julho, vêm oferecendo cursos cuja renda ajuda a manter a casa ativa. Além disso, a nova gerência promove também encontros com personalidades do meio, como o cineasta Cacá Diegues, convidado da última edição do projeto Papo no Tempo.

As inscrições para os cursos desse semestre estão abertas, e as aulas começam em outubro. A programação completa está disponível nos sites do Tempo Glauber e da Cinema Petisco. No corpo docente figuram nomes de destaque na cena, como o do produtor cultural Cavi Borges (com o curso “Novas forma de pensar a produção e a distribuição através de parcerias e redes colaborativas”) e Fabiano Canosa (com “Cinema 360º”). Vale o confere.

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Santiago Perlingeiro

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Estudante de letras, ataca de escritor e jornalista. Paga sua cerveja trabalhando, ora como garçon, ora como feirante - e às vezes não paga
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